Ilustrações de Serena Curmi
De todos os gestos inevitáveis da vida, se despedir é o pior. E se a expressão máxima disso é quando alguém que a gente ama morre, pedaços menores desse sentimento visitam a gente todo dia, sempre com pesar. Se despedir da roupa que não serve, do trabalho antigo, dos caminhos que, até ontem, eram de todo dia. Passar adiante a casa onde você já viveu. Transformar um amor em passado. Como é difícil suerar o apego.
No fim das contas, é tudo sobre deixar pra trás um pouco do que você é, abrir mão de algo que compõe a sua existência. A sua casa é você de certa forma. Assim como seu amor, sua roupas, seus caminhos. A vida que você leva é você, mas não vai ser você pra sempre. Pelo menos não a de hoje. Uma nova vida vem em partes e te transforma. Muda seu olhar, suas cores, suas músicas, seus sentidos, suas saudades. Muda o que você vai fazer no sábado à noite e, quando se menos espera, muda até o que você pensa de si mesma.
Quando a gente tem que se despedir de um ano, mesmo sendo só uma contagem de tempo na prática, muito desse balanço de perdas vêm à cabeça, porque a gente vê toda despedida como uma perda. Nem sempre é assim. Na maioria das vezes, uma despedida é uma mudança pro que vai e pra quem fica. É uma forma de se abrir de novo pras surpresas e dizer um oi pra um pedacinho de nova vida.
Vamos sentir menos dor nas despedidas e mais esperança. ;)





