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Mostrando postagens com marcador Campanha. Mostrar todas as postagens
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* 5 absurdos que ouvimos sobre nosso cabelo

Eu fico feliz por viver num tempo em que eu ande na rua e cruze com várias mulheres de cabelos curtos, coloridos, afro, cacheados, assimétricos, bagunçados e diversas outras formas que já foram consideradas inaceitáveis. 

Hoje, somos muito mais seguras pra assumir as nossas vontades (e, principalmente, nossos direitos) em todos os campos da vida, e claro que isso se reflete no cabelo. O mundo, sabe como é, demora a aprender como lidar com nosso empoderamento capilar e, de vez em quando, alguém ainda vem com uma dessas pérolas.
A melhor resposta pra qualquer comentário desses é sempre a segurança. Se elogiar é uma ótima maneira de deixar claro que você é consciente da sua imagem e das suas escolhas. Quem sabe a pessoa que falou não sai da conversa com uma pulguinha atrás da orelha, começando a entender a beleza de outra forma?

Cada mulher e cada cabelo tem sua história, suas inspirações, sua identidade. E não tem como não amar isso. Hoje, a gente tem uma variedade absurda de produtos pra cuidar de todos os cabelos, independente do tipo ou do estilo. Se o seu cabelo é cacheado, tem uma linha pra destacar os cachos. Se é liso, tem produtos que fortalecem e embelezam. Pro cabelo afro, tem uma linha de hidratação, que ajuda muito na definição do penteado. Fora casos especiais, em que a gente precisa tratar os danos da química; controlar a queda ou manter a cor da tintura por mais tempo. Além desses tipos e casos, tem produtos pra muitos outros nas linhas da Pantene. Pode procurar.


Desde o shampoo até o finalizador, a gente vai encontrar o que precisa na prateleira. O que a gente não encontra na prateleira, mas tem uma reserva guardadinha na cabeça esperando pra vir à tona é uma auto-estima incrível. ;)

* Esse post é um publieditorial. Um post de publicidade.
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Comece o ano fazendo o bem

No fim do ano, a gente faz todos os planos possíveis. A ideia de um ano novinho em folha começando, pronto pra ser vivido do jeito que a gente planeja - ou o mais perto disso possível - é fascinante mesmo. Todo caderno em branco tem uma magia diferente, né?

Obviamente, a maior parte dos planos se refere à nossa própria vida, mas, de vez em quando, aparece a chance da gente dirigir um pouco dessa energia às vidas de outras pessoas. Hoje, esse post é uma dessas oportunidades.

Existe uma organização humanitária internacional chamada Médicos Sem Fronteiras que atua em cerca de 70 países levando cuidados de saúde a pessoas afetadas por conflitos armados, desastres naturais, epidemias, desnutrição ou sem qualquer acesso à assistência médica.


Isso é muita coisa, minha gente. E o que mantem a MSF de pé e trabalhando cada vez mais é a colaboração de pessoas como você e eu. É a partir de doações do mundo inteiro que esse trabalho incrível pode ser feito. E para começar o ano bem, nada mais justo do que começar olhando e ajudando o próximo. A contribuição varia, pode ser única ou mensal - e há opções bem acessíveis.



Sugiro que todo mundo conheça mais o trabalho da MSF e acompanhe suas ações pelo mundo. Assim, fica mais fácil ver como cada doação é muito bem utilizada. E como pensar no bem dos outros é a melhor forma de começar bem o ano, faça sua parte. Para doar acesse: www.msf.org.br/comece-o-ano-bem. #comeceoanobem


Esse post seria um publieditorial, mas o Ricota doou seu cachê pra campanha. Faça a sua parte também. ;)
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Os sovacos coloridos

dyed armpits - axilas coloridas

Tem um pessoal por aí pintando seus cabelos do sovaco de várias cores, assim como os da cabeça, e vocês não têm ideia de como acho isso incrível.

Vou começar a história do começo. Nos tempos de universidade, eu e minhas amigas tínhamos muito tempo livre (saudades!) pra passar o dia sentadas/deitadas na frente do centro em que estudávamos. A gente via todo mundo passar encostada numa parede de vidro, apenas aproveitando todas as nuances do ócio no campus.

Entre as centenas de pessoas que circulavam por lá, havia uma menina que, com certa frequência, sentava encostada no mesmo vidro que a gente. Ela tinha o cabelo bem curtinho e usava muitas roupas de materiais naturais, modelagens amplas e tons da natureza: terrosos e verdes. Se for pra resumir, ela usava um estilo bem hippie. Mas o que chamava mesmo atenção na moça eram os sovacos peludos. Ela não depilava e aquilo causava um estranhamento - uma aversão, na verdade - enorme em mim, muito bobinha na época.

Bobinha porque, dentre outros motivos, eu sempre fui peluda. Nos braços, nas pernas. Até no dedão do pé faz o favor de nascer pelo. E sempre sofri me depilando quase todo dia com uma lâmina, pra que ninguém visse pelo menos parte desses pelos. Deixar de depilar era inaceitável, e vai ver que era daí que vinha meu problema com a menina. "Por que ela não sofre tanto quanto eu e todas as outras se depilando, mesmo contra a vontade dela?" talvez seja uma boa frase pra definir o sentimento de certa forma arrogante que eu tinha achando que podia me incomodar tanto com uma coisa que não me diz respeito em qualquer aspecto.

Fora o tanto de machismo que existia nesse incômodo. Homens com pelos são normais desde sempre. Só recentemente parte deles começou a se depilar. Já os ideais de delicadeza e perfeição plástica impostos a mulher fazem, até hoje, com que a gente se sinta obrigada a vários sacrifícios. Não contentes em nos obrigar, obrigamos mentalmente as outras também.

dyed armpits - axilas coloridas

Aí o tempo passou e trouxe alguns ensinamentos sobre não julgar os outros dessa forma. Não aprendi todos ainda, mas alguns, já. Precisou de um bom tempo pra que eu conseguisse enxergar a menina só como uma pessoa que não tá a fim de depilar determinada parte do corpo, seja lá pelo motivo que for, e ponto. A menina não era o sovaco, sabe? Eu fiz a metonímia mais besta possível por muito tempo: olhava pra ela e só via o sovaco peludo, tomei essa pedaço de corpo pela pessoa.

Agora, esse ano, tenho acompanhado os vários movimentos pelo direito de ter pelos. Hairy legs, Pelos Pelos e tantos outros que mostram ao mundo como são pessoas com pelos. E sabe o que acontece de tanto ver essas fotos? Elas param de te incomodar. É a libertação que vem aos poucos de nunca mais olhar pra alguém e se incomodar porque ela tem pelos embaixo do braço.

Com o passar do tempo, de tanto ver fotos na internet de gente peluda, você vai aceitar que pelo não é motivo de nojo, repulsa ou qualquer outra coisa negativa. Você vai entender que pode tirar se quiser, com o método que lhe for conveniente, mas só se quiser. Que você pode depilar, mas não precisa depilar.

dyed armpits - axilas coloridas

Hoje, eu olho pros meus pelos de uma maneira bem diferente, com muito mais aceitação. E, se não tenho a auto-confiança suficiente pra andar por aí com todos eles crescendo de boa, pelo menos me desespero bem menos pra tirá-los. Consigo olhar e não achar uma aberração, apenas perceber que as funções do meu corpo estão funcionando bem, inclusive a do crescimento piloso.

E é bem aí que entram os sovacos coloridos. Adicionando esse exagero, essa teatralidade, aos pelos, eles acabam sendo muito mais facilmente aceitos. Os pelos deixam de ser tabu pra se tornar uma brincadeira, e não existe nada mais bem aceito no mundo que a piada, principalmente a auto-piada. Escrevam aí, esse pé-na-porta - que são os sovacos coloridos - vai acelerar muito a o processo de naturalização dos pelos entre as pessoas.

Por isso, muito obrigada a todo mundo que anda publicando fotos dos seus pelos por aí na internet. A cada vez que vejo uma imagem de vocês, olho pros meus com um tantinho mais de naturalidade. E o mais importante: me obrigo a aceitar os dos outros. E sem cara feia.

Fotos daqui, daqui e daqui.
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O Conar não sabe o que deprecia a mulher

Afe. Hoje é sexta, tudo o que eu queria era manter o Ricota com um post alegre e gente boa pra dar o clima leve do fim de semana. Mas não se pode ignorar um chamado, principalmente quando ele é sobre nós, mulheres e a visão que o mundo tem da gente, certo?

Bom, a Duloren fez uma campanha de Dia dos Namorados em que uma mulher aparece com a lingerie da marca fazendo uma referência à masturbação. O texto diz: eu me amo.

Masturbação feminina, um assunto que não devia ser tabu em pleno 2014 sendo tratado numa propaganda totalmente voltada às mulheres e que, nas entrelinhas, diz: não há problema nenhum estar sozinha no Dia dos Namorados. Com auto-estima e auto-conhecimento do seu corpo, você tira de letra.


O Conar, que é um órgão de auto-regulamentação publicitária (basicamente um conselho de publicitários que cria certos limites pra publicidade no Brasil e, de certa forma "fiscaliza" isso), notificou a Duloren por ter criado uma campanha que "deprecia a mulher". Sério, mais uma vez, eu digo em que ano estamos: 2014. 

Um órgão que deixa passar diversos tipo de mensagens verdadeiramente anti-éticas e depreciativas à mulher acha que dizer a uma mulher que ele pode se masturbar é depreciativo. O Conar, pelo visto, defende que as mulheres devem ter medo do próprio corpo ou, no mínimo desconhecê-lo. Devem esquecer que seu corpo é sua propriedade e as sensações que vêm dele não são, e nunca deviam ter sido,  motivo de vergonha.

Se, na mesma campanha, a Duloren tivesse colocado um casal abraçado, o Conar também consideraria depreciativo à mulher? Evidentemente não. Porque o grande problema, o grande tabu não é a mulher ser um ser sexual, é a mulher ser sexualmente independente. 

A Duloren divulgou um comunicado oficial em resposta à notificação e, entre outras coisas, diz  “É no mínimo curioso o tabu em torno deste assunto em um momento de luta pela legitimação das relações homossexuais, por exemplo, e essa notificação soa como um retrocesso". 

Conar, o que deprecia a mulher são as dezenas de anúncios que a objetificam de todas as formas possíveis, inclusive criando contexto de submissão sexual até pra anunciar relógio ou desodorante. Então, da próxima vez que surgir um anúncio que coloca a mulher como uma pessoa dona da sua própria sexualidade, que diz a tantas mulheres que ainda se sentem reprimidas: é ok conhecer seu corpo, você tem o direito de se divertir com ele, aprenda a respeitar e aplaudir. 
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Por que as mulheres pedem tantas desculpas?


Há um tempo, eu fiz um post aqui sobre um livro que , pra mim, é leitura fundamental pra todas as mulheres, o Faça Acontecer, de Sheryl Sandberg. E um dos assuntos mais tratados nas páginas é como as mulheres sentem culpa por tudo. Grande parte disso tem a ver com o fato da gente viver numa sociedade machista que estimula a insegurança na mulher de diversas formas. Então, a gente acaba desenvolvendo desde cedo uma postura maternal de quem quer sempre agradar todo mundo, de quem evita se impor pra não incomodar.

Embora ninguém duvide que nós, de modo geral, somos mulheres bem mais independentes que nossas avós, um forte resquício dessa insegurança continua bem forte: a gente pede desculpas demais. Falo, inclusive com certo constrangimento, que eu engrosso essa estatística. Sou daquelas que levam um esbarrão e pedem desculpa, pra vocês terem uma ideia.

Acho que é por isso que gostei tanto de ver esse vídeo. É uma propaganda da Pantene e se chama "Sorry, not sorry".


Tem legendas em português, é só ativar.

Primeiro, achei ótimo que a Pantene tenha sacado um pouco mais sobre o comportamento em transformação das mulheres (tipo a Dove), em busca de mais auto-confiança e direitos iguais não só no papel (obrigada, feminismo). Afinal, tem marcas que fazem questão de falar com a mulher do século XVIII ou insistem pra que a gente continue lá. Depois, foi identificação atrás de identificação. Eu pediria desculpa em todas essas situações aí, e imagino que muitas de vocês também.

Obviamente, é uma propaganda e o objetivo final é fazer com que a gente compre o shampoo, mas é bom saber que fizeram isso nos lembrando que não somos culpadas por tudo. Que não precisamos pedir desculpa o tempo todo, não precisamos agradar todo mundo, não estamos sempre atrapalhando alguém. É sempre bom lembrar, porque muitas vezes, a gente - ou o mundo - esquece.

A lição do dia é essa, vamos pedir desculpa só quando houver motivo. É difícil mas a gente consegue. ;)
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Deixem o cabelo da criança em paz

Eu não tenho certeza sobre o número de vezes que eu elogiei a internet aqui. Sei que foram muitas, porque poucas coisas me fascinam tanto quanto as grandes possibilidades de diversão, informação, contato e tudo mais que esse grande campo fértil oferece. O problema é a exceção. É quando surge alguém que pega todas as possibilidades que a internet dá e escolhe usar de uma maneira cruel e irresponsável. Mais triste ainda é quando essa pessoa encontra quem engrosse o coro.

Semana passada, eu li em algum site gringo do qual não me lembro que uma pessoa entrou no Change.org e se deu ao trabalho de criar um abaixo-assinado chamado "Penteie o cabelo dela". Esse abaixo-assinado é direcionado a Beyonce e Jay Z, que, segundo a criatura que criou a reinvidicação (e se apresenta como uma "mulher que entende a importância dos cuidados com o cabelo"), "negligenciam" o cabelo da filha, deixando que ele crie "dreads e bolas de pelos".


Sabe quando você vê uma coisa e fecha a janela esperando que deixe de existir? Pronto. Tinha 17 pessoas assinando a petição e já fiquei assustada. Dois dias depois, mais de 700. Hoje, mais de 5.000. Começa a ficar mais difícil de ignorar.

Obviamente, é triste saber que uma pessoa adulta está apontando o dedo pra uma criança que não sabe articular nem uma palavra pra dizer que o cabelo dela é feio. Pra dizer que falta pente, falta hidratação, falta cuidado. Quando a gente sabe que o cabelo dela é só o cabelo de uma criança preta, do jeito que nasceu, do jeito que cresce de dentro do corpo, sem tirar nem pôr. Aí, a criadora do abaixo-assinado maquia o racismo dizendo que o cabelo da criança é mal cuidado, que os pais deviam fazer algo a respeito. Então, outros adultos pegam um pedaço de suas vidas e dedicam a, além de assinar a petição, escrever comentários onde comparam o cabelo de Blue Ivy a uma ovelha, onde destacam que ela é uma criança "de milhões de dólares", onde chegam a dizer que, se os pais não derem um jeito no cabelo dela, a menina vai sofrer bullying quando for maior.


Entre todas as tristezas que esse abaixo-assinado traz, algumas das piores são: ver que pelo menos 5.000 pessoas sequer se envergonham de classificar o cabelo de um bebê como inadequado; perceber como muita gente acha que a aparência de uma criança deve refletir - ou ostentar - o dinheiro que os pais têm; constatar que, sim, em pleno 2014, um cabelo afro ainda é considerado por muita gente como um cabelo "ruim".

Eu sei que o mundo tem bilhões de pessoas, mas também sei que essas 5.000 pessoas são só uma mostra de uma parcela muito maior que cultiva esse tipo de preconceito ainda hoje. O que resta é torcer pra que a parcela que combate esse tipo de absurdo seja muito, muito maior.

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O emagrecimento que não aparece na revista

Acho que eu já falei que amo a internet de todas as formas e com todas as entonações possíveis. É que, aqui, pra cada pequena coisa ruim que se vê, surgem muitas coisas boas. O consumo de conteúdo livre , a possibilidade de qualquer um falar sobre suas ideias e o contato com um mundo mais real do que em qualquer outro meio de comunicação fazem que que a internet, essa linda, more no meu coraçãozinho fácil.

Pra vocês não me chamarem de babona, tá aqui um exemplo de ouro.

Essa moça da foto se chama Brooke e emagreceu 77kg. Como muitas outras moças que a gente conhece, Brooke mantém um blog contando o dia a dia dos hábitos de alimentação e exercícios que a ajudaram a chegar a essa conquista. É claro que a história de Brooke inspirou muita gente e, nisso, acabou chamando atenção da Revista Shape (a gringa, claro). Uma repórter da Revista convidou Brooke a contar sua história no Shape.com e, pediu que a moça enviasse uma foto do "depois" dela. Tudo normal. O lance é que Brooke enviou essa foto aqui embaixo e olha o email que ela recebeu de volta.



Tradução livre do Ricota: "Oi, Brooke. Ótimo falar com você aquele dia. Meus editores estão pedindo que você envie outra foto de 'depois' (você está ma-ravilhosa, claro, mas eles querem uma foto de blusa). Obrigada"

Então, Brooke deu a melhor das respostas:


"Foi ótimo falar com você também, estou tão feliz pelo seu convite. Eu gostaria de saber por que seus editores estão pedindo uma foto minha de camiseta. Pelo que sei, a Shape é conhecida por publicar fotos de mulheres do biquíni ou tops esportivos. Esse é o meu corpo depois de uma enorme perda de peso e, ao se recusar a mostrá-lo (ou me forçar a esconder), Shape está dando às mulheres uma falsa ideia sobre a perda de peso.

Também suponho que nenhum outro antes e depois vai ser com biquínis, já que camisetas são preferíveis.

Eu gostaria de oferecer à Shape a chance de explicar a razão por trás disso, estou certa de que meus leitores estão interessados no que vocês têm a dizer. 

Obrigada"

Então, a repórter respondeu:


"Oi, Brooke. É só uma política editorial que especificamente essas histórias sejam mostradas vestidas, simples assim. Confie em mim, nós estamos muito animados em ter você fazendo parte disso, estamos inspirados pela sua perda de peso e você está ótima na foto de biquíni. Meu editores apenas pediu uma nova opção.

Se você preferir falar disso no telefone, me diga. Me desculpe por ofender você com meu pedido, não era pra ser um insulto, apenas um alinhamento das fotos que eles pretendem usar."



"Eu supus que seria incluída nas histórias de sucesso do site, que mostram vários homens e mulheres nada cobertos de roupa. Eu estou fazendo um espalhafato sobre isso porque sinto como se a indústria estivesse nos ensinando a sentir vergonha dos nossos corpos, mesmo quando fazemos coisas surpreendentes. Sinto como se meu corpo não merecesse o mesmo respeito que outros corpos mostrados na seção Histórias de Sucesso.

Por isso, eu tenho que, gentilmente, recusar ser destaque na Shape online. Se vocês não estão dispostos a mostrar meu corpo como ele é, eu não quero fazer parte disso.

Obrigada pelo seu tempo."

*************************

Ou seja, a mulheres totalmente magras e/ou fortes aparecem de biquíni, já aquelas que não estão no corpo "ideal" estão sempre vestidas. Não importa se elas já tenham uma história de superação absurda, que gera identificação com milhares de outras mulheres. Emagrecer 77kg até é motivo de orgulho, mas um orgulho tímido, vestido, que esconda todas as marcas que o processo deixou.

Agora imaginem vocês outra mulher, em casa, iniciando um processo de emagrecimento tão grande quanto o de Brooke. A cada mês, ela perde mais peso e, em consequência, mais pele "sobra", mais estrias se destacam, mais ela tem dificuldade de se reconhecer no próprio corpo. Se ela entra em um site como esse, ou mesmo compra a revista, tende a se sentir ainda mais desconfortável, porque as histórias não são sobre mulheres como ela, enfrentando cada etapa de um processo realmente difícil. É como se você nunca pudesse se enquadrar, mesmo emagrecendo, mesmo sendo considerada uma "história de sucesso", você ainda tem que se esconder.

Ainda bem que a gente tem a história de Brooke pra inspirar, porque várias outras mulheres na mesma situação, devem ter só vestido uma roupa, achando que seu corpo não merecia aparecer mesmo. Quem quiser ler o post completo com o relato de Brooke (em inglês), é só entrar no blog da moça.
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Sobre a mulher e a beleza


Posso comentar um assunto da semana retrasada? Relevem o atraso, mas fiquei bem offline uns dias e, voltando, vi uma coisa que não queria deixar passar em branco. Sobre nós, mulheres, e a maneira como a gente se vê e, obviamente, como o mundo nos vê.

O assunto é um experimento da Dove. A gente sabe que a marca sempre faz campanhas bombásticas seguindo o mote da "real beleza" e, preferências ou contestações à parte, não dá pra negar que elas sempre levantam pontos importantes. Na mais recente, a Dove juntou algumas mulheres e colocou em cada uma um adesivo que prometia - por algum processo químico - incrementar a beleza natural de cada uma.


Vale a pena ver o vídeo. ;)

As voluntárias passaram um tempo com esses adesivos. Depois de alguns dias, a maioria disse que tinha se sentido mais bonita e, no fim da experiência, no 21º dia, a maioria dizia nunca ter se sentido tão incrível na vida.

O lance é que o adesivo era só um plástico colado na pele, nadica de nada a mais. Um placebo e tanto. O que fez as mulheres se sentirem mais bonitas foi unicamente o fato de acreditarem que estavam. E claro que todas nós sabemos que isso faz todo o sentido, porque todas já nos sentimos assim pelo menos uma vez na vida.

É curioso como a decisão sobre a beleza da gente é totalmente centrada em auto-imagem, inseguranças, humor e vontade, mas a gente, quando para pra pensar, joga a responsabilidade dessa percepção toda no outro. A gente acha que o que faz a gente bonita ou não é alguém achar e dar o veredito. A gente espera o elogio pra se sentir bonita. Fica naquela insegurança pela aceitação, pela legitimação, como se a gente ainda estivesse na escola esperando ser aceita pelo grupo.

Esse post é só pra relembrar - reiterar, na verdade - que beleza é auto-declaração. ;)
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Minhas coisas no bazar mais maravilhoso da cidade

Essa semana, conheci um projeto lindo aqui de Recife. O Nada em Troca é um grupo que se uniu pra ajudar animais abandonados, o que inclui alimentar, cuidar, tratar, promover adoção e todas as missões diferentes que surgem todo dia pra quem faz um trabalho assim. Tem que ter muita dedicação e muito amor.

Conheci através de Helena, que me mandou um email me apresentando o Nada em Troca e contando que, numa das andanças alimentando animais da cidade, eles encontraram o abrigo de Seu Severino na Imbiribeira. De tão cheio, o abrigo ganhou um anexo improvisado na calçada, o que irritou os donos de empresas da área que deram um prazo de 20 dias pra tirar os animais dali. O resultado: a necessidade de levantar pelo menos R$10.000,00 antes do fim desse prazo, pra comprar um terreno em Jaboatão e levar os animais.

Pra ajudar, o Nada em Troca resolveu fazer um bazar solidário online hoje. E era esse o objetivo do email de Helena, perguntar se eu tinha umas coisinhas legais pra colocar no bazar. Revirei minhas coisas e encontrei algumas legais (vai tudo ser publicado no grupo do bazar, não só minhas coisas mas todos os produtos do bazar), mas acho que a melhor é esse vestido da coleção Issa pra C&A.
Ele custava R$289 e eu comprei por R$19,90 na liquidação. Escolhi o preto e até postei no Instagram na época, mas quis levar esse pra casa porque achei lindo e esperava que, um dia, ele ia ser útil. O dia chegou, ele tá à venda hoje e quem chegar primeiro leva. Veste do 38 ao 42, nunca foi usado e não vai estar por R$20, porque não custa nada pagar um pouco mais pela boa causa. Mas não se preocupem, ainda vai estar barato. ;)

Pra quem ama seu bicho de estimação, criei dois quadrinhos que também vão estar à venda com moldura e tudo. Tem de gato e cachorro e o preço também é limpezinha. Pode confiar. ;)



É isso, gente. Peço que vocês entrem e comprem alguma coisa ou entrem em contato pra fazer a doação que puderem. Vamo ajudar a chegar nos dez mil, muitos animais dependem dessa colaboração.
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Como o Instagram ajudou Antonia a vencer a anorexia

Muita gente se incomoda com os perfis fitness no Instagram. Eu confesso que não entendo muito bem o problema, já que é comum ter perfis dedicados a um tema. Existem os de decoração, os de moda, os de arte e também os de fitness. Se alguém tem um perfil sobre exercícios, é normal que só poste exercícios. Se ela faz cinco vídeos diários com treino, não quer dizer que ela treine cinco vezes, apenas que ela produz bastante conteúdo a partir do que faz.

Eu sigo alguns perfis e adoro. Todos os dias, preciso de um estímulo pra me levantar da cadeira e me mexer, então acho ótimo ver pessoas ativas, comendo bem e se exercitando. Abro o Instagram atrás de motivação e quase sempre consigo. Às vezes vem de uma moça famosa e às vezes de um amigo que corre todo dia. Nos dois casos, me faz bem.

Sei que há uma preocupação com não profissionais dando conselhos, mas, nesse caso, sempre vamos depender do bom senso (não só no Instagram, como em toda a internet, na TV, na rua, no trabalho...) de quem fala e de quem ouve. Afinal, todo mundo tem o direito de contar a sua experiência desde que tenha cautela sobre o que diz, assim como todos podem ver dicas e buscar motivação nessas experiências, desde que filtrem o que é válido pra sua realidade.

Com equilíbrio, tudo funciona, né? Uma prova disso é o perfil @EatMoveImprove, de Antonia. A gente vê tantas notícias mostrando perfis que estimulam a anorexia que é quase obrigação mostrar o inverso disso. Essa moça sueca de 18 anos foi diagnosticada com anorexia e internada pra começar a tratar o distúrbio. Do hospital mesmo, Antonia resolveu dividir a história e criou um perfil no Instagram pra mostrar sua recuperação.

Primeiro post no perfil

Alguns meses depois, ela já tinha recuperado peso e levava uma alimentação saudável, mas até chegar a esse ponto, Antonia compartilhou todas as dificuldades que envolviam, por exemplo, dobrar a quantidade de comida ingerida depois de tanto tempo praticamente sem comer. Ela conta que os perfis fitness foram muito importantes pra ajudá-la a ver a beleza no seu corpo, aceitar a próprias formas e seguir cuidando dele, agora do jeito certo, com comida saudável e exercícios.


Antonia não fala sobre números, não diz quanto pesa, pesava ou quantas calorias consome porque sabe que foi essa obsessão pelos números que fez com que ficasse tão doente, e ela não quer compartilhar esse tipo de coisa. Assim como não fala sobre perda de peso, já que a forma como ela perdeu peso destruiu sua saúde.

As refeições apetitosas de Antonia

Imagino, que como ajudou Antonia, o Instagram (e outras redes sociais) deve ter trazido apoio a muitas meninas em busca de recuperação. Bom saber que pode até existir que estimule excessos mas que a saúde e o equilíbrio tão encontrando espaço na rede e fazendo a vida de muita gente melhor.
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A lojinha da esperança

Por mais que comprar uma roupa pareça uma coisa casual pra gente, é sempre importante lembrar que é algo inacessível pra muita gente. Antes de servir pra embelezar, uma peça de roupa veste, protege e, muitas vezes, pode fazer alguém se sentir mais gente. Hoje, eu recebi um email de uma moça chama Poliana (muito obrigada, Poli) me apresentando um projeto lindo que ela ajudou a criar, a Lojinha da Esperança

Nessa lojinha virtual, você vai encontrar camisa, calça, meia e outras roupas infantis. Quando você compra uma peça, presenteia uma criança carente assistida pela Casa da Esperança. É simples e o pagamento é com PagSeguro. 


Poliana me explicou que eles tão recolhendo as doações em dinheiro pra poder dar peças de qualidade igual a todas as crianças e, assim, uma não ficar com uma roupa melhor que a outra. A Lojinha tem parceria com um fornecedor de roupas infantis que vai produzir tudo. 


Não interessa se você pode dar uma meia ou uma calça. Presente que é presente vem do coração e eu tenho certeza que é com o coração que ele vai ser recebido. ;)
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Quando uma escola expulsa uma menina por causa do seu cabelo

Vocês, como eu, já foram crianças e adolescentes e, durante todo esse tempo, viram muita coisa acontecer na escola. Muitas vezes, viram professores, diretores, coordenadores agirem de uma forma equivocada, seja por não saberem o que fazer em alguma situação, seja por estarem perpetuando valores antigos, errados e, algumas vezes, preconceituosos.

Todo mundo tem uma história desagradável pra contar sobre a ação de alguma escola em que estudou, mas poucas são esdrúxulas como a de Vanessa.


Essa mocinha de 12 anos, depois de reclamar aos diretores da escola onde estuda, na Flórida, que estava sofrendo bullyng de outros alunos pelo cabelo black, foi "convidada" a alisar ou cortar o cabelo em, no máximo, uma semana. Se não, não oderia mais continuar no colégio. O argumento da escola é um tipo de dress code que define que os alunos não devam fazer uma intervenção no visual que chame atenção ou cause distração aos outros alunos. A grande questão é que Vanessa não fez nada, ela apenas está usando seu cabelo exatamente como ele é. Ele cresce assim, é o cabelo dela, que integra a identidade dela. E, o pior, ela é a vítima do preconceito dos outros alunos sendo tratada como culpada.


Reportagem em inglês

Você pensa que, numa instituição responsável por educar, se uma criança chama atenção das outras pelas suas características físicas, a escola vai orientar as outras pra que respeitem as diferenças. Mas não, o colégio achou preferível perpetuar um ideal racista e dizer à criança que ela precisa de um cabelo liso pra se adequar.

Agora me digam. Como esperar que a publicidade, a TV, as revistas, a sociedade abandonem a ideia de  que vivem entre a casa grande e a senzala e evoluam, se as crianças que vão comandar isso tudo daqui a alguns anos já tão recebendo todo um legado de atraso justamente no lugar onde deveriam ser instruídas a evoluir?

Esse é só um caso? É.
Aconteceu fora no Brasil? Sim.

Mas ele é familiar a muitas situações que a gente vê constantemente aqui e em tantos outros lugares. Infelizmente, a maioria vai passar em branco e não vai ganhar o destaque que o caso de Vanessa teve.

Vanessa disse que, mesmo sentindo saudade dos amigos, prefere ser expulsa a abrir mão do seu cabelo. Não sei se ela já tem consciência disso, mas, a essa altura, já nem é mais só um cabelo, mas uma bandeira por um mundo menos babaca e por uma escola mais preocupada com o tipo de cidadão que pretende formar.
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Parem de censurar a maternidade

Uma discussão que não é nova mas que mostra novas faces sempre é o tanto de censura que coisas normais da vida e do corpo sofrem. Estrias, cicatrizes, pelos, poros, tudo isso é motivo de vergonha e, de insumo normal do corpo, virou coisa a ser escondida ou arrancada o quanto antes.

Disso tudo, saímos nós, cada vez mais constrangidas de ser quem somos, tentando encontrar nossa versão mais plástica possível pra não incomodar ninguém. Aí, a gente fica na expectativa pra ver o limite de tudo isso, pra ver até que ponto ser humano normal, ou ainda ser mulher normal, vai ser considerado feiúra e desleixo. Até onde vai, eu não sei, mas sei que ser mãe tá considerado cada vez mais antiestético por aqui.



Se você é da família real (como me incomoda a valorização desse título em pleno 2013) acabou de parir e apareceu numa foto maquiada, bem vestida mas com sinais de inchaço na barriga (porque, oi, tinha outra pessoa lá dentro e o corpo precisa se adaptar) falam mal de você. Agora, imagina você, uma mulher como qualquer uma de nós, engordando, com peitos que mal contêm o leite, vendo estrias surgirem, vendo o corpo mudar, percebendo que tá passando por mudanças difíceis que, mesmo em nome de algo maior, continuam sendo difíceis.



Imagine como se sente essa mulher vendo as críticas a um simples inchaço que, perto do que ela tá passando, é nada. Imagine essa mulher da vida real dois, três, quatro meses após dar à luz, quando a maior ambição que ela se dá é poder dormir algumas horas sem interrupção. Quando ela é responsável por produzir o alimento do filho e, mesmo com a divisão das tarefas com o pai do bebê (assim, assim, já que a licença paternidade não dura nem o tempo de cicatrizar os pontos do parto), ainda luta tanto o dia todo, que mal tem tempo de se olhar no espelho.

Agora pense que essa mulher pode passar pelo momento de renovação, descobertas e magia, que é ter um filho sem se dar conta de tudo isso, de tão pressionada e constrangida por não aparecer por aí impecável como uma duquesa. É difícil. E não estamos ajudando a nós mesmas legitimando essas expectativas irreais. A gente precisa de apoio pra olhar pra si mesma com mais carinho, mais aceitação.
 

Isso é o que faz do The 4th Trimester Bodies Project algo tão massa. Nele, a fotógrafa - e mãe - Ashlee Wells Jackson percorre os Estados Unidos mostrando mães de bebês com seu corpo, suas marcas e sua alegria à mostra. O lema do projeto que vai virar livro no futuro é "Parem de censurar a maternidade" e se propõe a mostrar por aí, principalmente nas redes sociais, que a beleza da maternidade vai além da "perfeição" plástica que a gente se acostumou a admirar.

Todas as fotos do post são do projeto e espero que elas tenham deixado o dia de vocês mais bonito - e a mente mais livre - como deixou o meu.



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É assim que "fábricas" de animais funcionam

Eu sei que muitas de vocês que lêem o Ricota são preocupadas com a causa da proteção animal e se esforçam pra viver respeitando ao máximo a vida dos bichos. Sei que, muito além do amor a um animal, tá a consciência do valor da vida de cada um, seja qual for.

Nossa sociedade se desenvolveu em diversos aspectos desconsiderando animais como vidas dignas de proteção e, com isso, a exploração aparece nos meios mais diversos que a gente possa imaginar. Vestuário, alimentação, entretenimento, higiene e beleza, nesses ramos e em muitos outros, boa parte dos produtos vêm com uma carga de sangue e sofrimento animal. O objetivo disso não é julgar ninguém porque isso é uma construção social, mas, individualmente e com um passo de cada vez, a gente sempre pode fazer mais do que faz (e claro que me incluo totalmente nisso).

As campanhas pela adoção de animais, ao invés de compra, por exemplo, são cada vez mais fortes. Ainda bem. Mas a maioria das pessoas que ainda vê a venda de animais por pet-shops como algo legítimo nunca teve informação sobre como funcionam as fábricas de filhotes.

Hoje, vi no Hypeness um post com o vídeo da campanha contra compra de animais feito pela ong Oscar's Law. Em menos de três minutos, ele mostra por que comprar animais é colaborar com uma crueldade institucionalizada.



Hoje, nas feiras de adoção e nas próprias ongs, você vai encontrar um animal abandonado que se encaixe na sua casa, no seu dia-a-dia e na sua família. E, pode ter certeza, você nunca vai se orgulhar tanto de uma escolha.

Pra quem tá em busca de um bicho de estimação, o site da PEA tem uma lista de locais em todo país. Sites como o AnimaiSOS e o Quero Um Bicho também têm animais pra adoção no Brasil inteiro. Em cada cidade, tem grupos que recolhem, cuidam dos animais e repassam pra adoção. Quem conhecer e quiser, pode divulgar outras instituições de adoção sérias nos comentários.

E quem quer saber mais sobre as fábricas de filhotes, pode entrar em algum desses links:
Indústria de filhotes - DIGA NÃO;
Não Compre Cachorro em Pet Shop;
Fim da exploração: cães são salvos de fábrica de filhotes.


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A gente só quer respeito

Eu sou usuária do transporte público desde sempre. Nunca tive carro, meu pais também nunca tiveram. Desde criança - quando era pequena demais pra ficar só em casa e minha mãe me levava pro trabalho -, me acostumei a tentar caber nos ônibus lotados e comemorar um lugar pra sentar nas raras vezes em que isso acontecia.

No começo, a gente pagava várias passagens por dia. Depois, eu já grande, veio a integração e o metrô começou a fazer parte das nossas rotinas. O tempo de locomoção não melhorou, passou de dois pra três transportes na ida e três na volta, mas os orçamentos apertados agradeceram por poder pagar menos.

Em épocas diferentes - estudando em lugares diversos, trabalhando em bairros diversos -, eu vivi o desconforto de boa parte das linhas de ônibus da cidade. Tem ônibus em que você, por mais que pegue todo dia, nunca vai passar da escada da porta e, mesmo que não caiba, na parada seguinte, vai subir mais gente pra dividir a escada com você.

Há mais de dois anos, trabalho no mesmo lugar, que fica a 11km da minha casa. A ida é feita com dois ônibus e um metrô. Pra voltar pelo mesmo caminho, eu teria que descer à noite em uma BR deserta, então me acostumei a pegar dois ônibus. Na parada perigosa e deserta perto do trabalho, param várias opções que me levavam pra um bairro mais perto de casa. Nesse bairro, paravam várias opções pra minha casa. Assim, sem tanto tempo de espera, passei a gastar duas passagens na volta, mas sabendo que chegaria em casa em trinta ou, se algo desse errado, quarenta minutos, sentada, como deve ser a volta pra casa de quem trabalhou o dia todo.

Então, agora, o trânsito da cidade mudou. Esses diversos ônibus que iam do centro à minha casa deixaram de existir e foram substituídos por circulares. Poucos e pra muita gente. Lentos e ineficientes, os circulares levam todo mundo a outro terminal chamado Tancredo Neves, onde, aí sim, você pega um ônibus pra casa. A alternativa aos circulares, pra mim, é pegar um ônibus, descer, pegar um metrô, descer, pegar outro metrô, descer e, finalmente pegar um ônibus pra minha casa, que costuma demorar pelo menos trinta minutos, já que o número de veículos da linha foi cortado.


Assim, dos 30 ou 40 minutos que gastava pra chegar em casa, passei a levar entre uma hora e quarenta e duas horas. Pra percorrer 11 quilômetros.

Os ônibus saíram das ruas pra dar lugar aos carros e há quem tenha coragem de apresentar isso à população como plano de mobilidade. Meu exemplo é só um, que eu posso falar com propriedade por viver todo dia, mas, acredite, isso é a rotina de milhares de pessoas. Ir trabalhar e voltar pra casa nas piores condições todos os dias.

Em uma cidade onde o custo de vida é alto, as pessoas ganham pouco e, como no resto do país, têm um mínimo acesso a serviços públicos de qualidade, a gota d'água é ser tratado como lixo todo dia por não ter mais um carro pra botar na rua e engarrafar o trânsito. Por isso, não pensem que é por dez ou vinte centavos, não pensem que é só pelo preço, é pela falta de qualidade que molesta a gente todo dia. O mote é o transporte, mas podia ser segurança, moradia, educação, saúde. Hoje, na verdade, a gente tá protestando até pelo direito de protestar em plena democracia.


Por isso, vou pra rua amanhã, a partir das 16 horas, no Derby. Porque quando te roubam a cidadania diariamente, embora continuem te cobrando por ela, você tem ir em busca. E sua voz, felizmente, é difícil de roubar hoje em dia.



Esse vídeo é da Folha de São Paulo, que chamou manifestantes de vândalos, defendeu a polícia violenta e no dia seguinte voltou atrás, quando viu a mesma polícia ferir doze jornalistas em serviço. O vídeo é bom, deve ter sido o tempero do arrependimento.

As fotos do post são do O Que Não Sai na TV.


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* Olhando de pertinho

Há um tempinho, bombou um tumblr chamado Celebrity Close up. Acho que todo mundo já viu e o princípio nada mais é do que mostrar que o povo famoso também tem defeitinhos, só que, pra ver, a gente tem que se aproximar bastante. Assim, a gente vê que, por baixo da maquiagem, também tem olheira, sardas, acne e marcas de expressão como todo mundo.

Exceto Emma Stone, que tem essa pele de pêssego aí, todo mundo tem alguma coisa pra tratar na pele. Pode ser uma marca que só afeta a estética ou uma coisa mais séria, como foi o caso da Cláudia:



Pra definir se os sinais e marcas que você encontra na pele merecem preocupação ou não, só um dermatologista pode dizer. Agora, se o problema for encontrar um dermatologista afiliado à SBD perto de você, isso já deixou de ser obstáculo. 

Tanto quem usa Android como que tem IOS pode baixar o aplicativo da campanha Pele é Saúde aqui e descobrir onde tão médicos qualificados e mais que confiáveis e o mais perto possível de casa, pra cuidar da sua pele. ;)

Esse post é um publieditorial. Um post de publicidade.
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* Pra cuidar da pele

 Não sei vocês mas eu, durante muito tempo, ficava doente e só ia ao médico quando não tinha mais alternativa pra tentar sozinha em casa. Já aconteceu, por exemplo, de passar meses tossindo, ir ao médico e o tratamento de poucos dias me curar. No consultório, ainda descobri que ter ficado doente foi resultado de uma baixa na imunidade já de algum tempo. Ou seja, se eu tivesse ido ao médico com a frequência ideal e feito exames preventivos, saberia que não tá tudo bem e poderia ter tomado medidas antes mesmo de ficar doente.

Claro que, quando eu falo de uma tosse de meses, é bem mais fácil pensar "Ah, que irresponsabilidade! É claro que eu não teria deixado chegar a esse ponto.", mas se a gente pensar na quantidade de vezes que a gente negligencia a saúde da nossa pele, fica bem mais fácil pensar que todo mundo falha.

Por exemplo, eu imagino que quase todo mundo aqui use protetor solar todo dia, mas será que o produto que você escolheu é o melhor pra sua pele? Sei que geral higieniza o rosto com produtos específicos, mas essa escolha foi feita com orientação? E depois que o estrago já tá feito, adianta maquiar? Enfim, não sou eu quem vai dizer o que deve ser feito em qualquer uma dessas circunstâncias. A única coisa que eu posso dizer é que você, eu e todo mundo canta junto temos que procurar um dermatologista antes de fazer qualquer procedimento na pele, porque cuidar da pele não é só cuidar da beleza, mas da saúde e só um médico vai saber diagnosticar os sinais que seu corpo dá.

Pra deixar isso tudo mais claro, tem o exemplo dessa moça chamada Cynthia. A história dela é bem real e a gente sabe que acontece todo dia, com um monte de pessoas próximas:



A Sociedade Brasileira de Dermatologia (pode chamar de SBD, porque já somos todas íntimas agora) criou uma campanha pra gente aprender mais sobre a importância de cuidar da pele do jeito certo, com acompanhamento médico. O site Pele é Saúde tá cheio de informação útil. Na Fanpage da SBD também há muito o que ver. ;)

Fotos daqui, daqui e daqui.

* Esse post é um publieditorial, um post de propaganda.
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Coisa linda do dia

As fotos da campanha Primavera - Verão da Dolce & Gabbana, feitas por Mario Testino, são tão lindas que dá vontadede sair por aí toda florida, forçando bem a mão na felicidade:
Pelo visto o mundo gostou mesmo das flores, né? Elas já explodiram lá fora, já vieram pra cá e agora, se essa campanha servir como referência o bastante, tão sendo requentadas lá fora de novo, só que a impressão que eu tive foi: dessas vez muito mais vivas.

Acho ótimo, isso garante que quando a coleção verão 2011/2012 das lojas brasileiras estiverem à venda, a gente ainda vai ter muitas chances de comprar vestidões e vestidinhos floridos. Ah, tenho que dizer que sou apaixonada por esse xadrez vichy vermelho e branco (com cara de capa de liquidificador) e adorei todas as peças com ele: o short, a saia e o macaquinho, principalmente misturado com as peças floridas.

Repararam na blusa-avental jeans? Cês já tinham visto algo assim? Não me lembro de ter visto em outro lugar e também ainda não sei se simpatizo, mas no geral achei tudo lindo - acho que usaria até as masculinas, de tão bonitas - e com uma cara de roupa de verdade, de vida - quase - de verdade, né?

Ok, não vamos fazer um comparativo entre os possíveis preços e a vida de verdade, isso é tudo inspiração e pra se inspirar a gente não paga, né? ;)

PS 1: essas plataformas multicoloridas tão com cara de quem vai virar hit.
PS 2: lembram como a coleção primavera/verão deles do ano passado foi de babar?

Fotos do Fashion Gone Rogue.
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