
Lembram que
comentei com vocês (e pedi que me indicassem, hihi) sobre o amigo-secreto do
Shopping Recife? Pois é, os vinte blogs participantes da festa que vai acontecer dia 10 (entre eles, e graças a vocês, o Ricota) estão publicando textos sobre amigo-secreto, mas só os dez mais comentados vão entrar no amigo-secreto.
Como o texto em questão podia ser ficcional, resolvi escrever dois mini-contos, coisa que nunca fiz por aqui. Só tem um probleminha: os dois estão sem final e só vou postar o fim de um deles, o que for mais votado nos comentários. Então lê aí, pessoal, e vota no preferido (espero que vocês simpatizem com alguma das protagonistas e tenham mesmo vontade de ler o final da história dela) . ;)
1.A Grande Mudança _____________________________________Uma caixa de chocolate, um pano de prato e um jogo de copos. Isso foi tudo o que Juliana ganhou nos últimos três anos em que participou do amigo-secreto da rua. Mentira. Nos últimos quatro anos, porque no penúltimo, o infeliz que tirou seu nome sequer foi à festa, muito menos mandou presente. E, hoje em dia, passa por ela, cumprimenta e sequer comenta sobre a dívida. Ela pensa nisso e bufa de raiva até hoje.
Pra quem vê de fora, parece bobagem, parece frescura reclamar tanto e dar tamanha atenção a um mero não-presente, ou aos maus presentes habituais, mas pra Juliana eles são o retrato do atraso. A tristeza em dar um presente super escolhido e ganhar um molambo faz ela lembrar dos dois anos que não namora, do emprego mais ou menos e da dieta que dura meia-hora e termina num pote de sorvete.
O nome do evento, pra ela, devia ser "O Amigo-Secreto da Rua da Amargura".
Ela precisava fugir, mas não tem como. Dia 2 de dezembro tinha sorteio. Não adiantava dizer que ia viajar, porque D. Juraci, a organizadora, depois do prejuízo que a própria Juliana levou por causa do vizinho cara de pau, ficou criteriosa e diz que "tudo bem, querida, deixe seu presente na minha casa que eu entrego depois o que te derem". Embora isso elimine a necessidade da presença na festa da rua, reforça a idéia de decadência, porque seguir qualquer sugestão de D. Juraci é se entregar ao fracasso.
A única solução era se mudar. "Sério, não tem outro jeito", ela pensou. Comentou com uma amiga do trabalho, que jogou a idéia na vala. Disse que era a maior idiotice do mundo.
Juliana deu de ombros, comprou o jornal do dia e investigou os classificados. Achou um apartamento. Pensou que não precisava alugar outra casa, já que morava sozinha. Viu o apartamento, fechou negócio, pagou o primeiro mês de aluguel e chamou o caminhão de mudança. Tudo em dois dias. Disse a D. Juraci que "valeu, adeus, gosto muito dos seus panos de prato pintados à mão, mas preciso ir".
Chegou na casa nova, mal tinha arrumado as coisas e já bateram na porta. Era a nova vizinha, que disse...
2. A Pior das Situações ______________________________________A única coisa que pode fazer um emprego ótimo, que paga bem, parecer uma porcaria é se você usa tudo o que ganha pra pagar as dívidas. "Pior é não ter dinheiro pra pagá-las", alguém pode argumentar, mas trabalhar o mês inteiro e não ver sobrar nem pra calcinha nova é o fim. Pra Marta até que nem tanto, porque já tá acostumada, o último namorado fez um rombo estratosférico no cartão de crédito da pobre coitada, e ela, que tinha acabado de conseguir o emprego, nem teve lá muito ânimo pra comemorar. Além do que, não tinha três reais pra comprar uma caipirinha e brindar só.
Voltava todo dia a pé do trabalho e só jantava porque ainda vivia com os pais. Nunca disse nada a respeito no escritório, mas sempre se esquivava de qualquer programa que deixasse clara pra geral a sua condição periclitante. Teve um dia, até, em que ela foi comprar absorvente numa loja de departamento, já tava com o pacote na mão, mas botou de volta no lugar quando viu uma colega do trabalho. Era do mais barato e sem abas.
Apesar do suplício, tudo caminhava relativamente bem, já tinha coberto 50% da dívida e a vida dava sinais de que ia se ajeitar daqui a não muito tempo. Tá bom que era fim de ano e ela até queria uma roupa nova, mas podia esperar um pouco. Melhor não gastar. Só que o pessoal do escritório resolveu fazer um amigo-secreto e, nossa, o valor era alto, pra combinar com os salários deles, também altos. Ela tentou sair de fininho, inventar uma desculpa, mas quando a primeira pessoa perguntou por que ela não queria, se tinha achado caro o presente, Marta se encheu de um orgulho fora de hora e respondeu que "não, o preço é bem razoável. Baixo até. E vou participar sim, pode colocar meu nome".
Na hora em que pegou o papelzinho com o nome de seu amigo, Marta gelou. Pior que tirar o chefe, muito pior...
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E agora, gente, de qual desses textos vocês querem ler o final? Do
1 ou do
2?
Comentem aí, que domingo posto o fim do mais votado. =)